Quem sou eu

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Catanduvas, Santa Catarina, Brazil
Alguém... Nem tão complicada, nem tão simples. Alguém... Que adora ficar acordada na madrugada, que acompanha séries de TV, que cantarola qualquer coisa o dia todo, que não pode ver chocolate sem comê-lo, que ama o som da chuva, que sonha correr nas campinas da Itália, que se irrita com internet lenta. Alguém... Que gosta das coisas simples da vida como olhar uma criança brincar, ver as folhas das árvores cair, as nuvens criarem figuras, sentir nos pés a água gelada de um rio, que gostaria de ver um cometa ou uma estrela cadente, como chamamos. Alguém... Que faz as outras pessoas rirem, e muito, talvez pelo jeito estabanado de ser, pelas caretas esquisitas e pelas perguntas em horas impróprias. Alguém... Que agora toma emprestada as palavras inteligentes de Raul “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.
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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Quando tudo se mistura


Ia dando os passos no corredor quando ergueu a cabeça e o viu no final do mesmo corredor lendo um jornal.
Uma lembrança voou à sua mente tão rápida quanto a luz... 

...estavam os dois deitados enquanto ela era acolhida em meio aos braços dele e podia manter uma mão descansando sobre seu peito enquanto conversavam calmamente....

Em menos de três passos e antes de chegar próximo dele teve um novo insight como se tivesse acordado pela segunda vez. Sim, pela segunda vez, porque essa lembrança não passara do sonho da noite passada. Que teve logo após ter acordado no meio da noite e consultado o horário no celular quando percebeu que tinha mensagem e com os olhos semi-abertos e o corpo meio acordado abriu a mensagem e pode ler “boa noite!”, sorriu e caiu no travesseiro enquanto ouvia a chuva caindo. E depois era manhã quando ela levantava ligeira e tomava banho e vestia roupa e organizava a sacola e tomava e café e escova os dentes e saia correndo para alcançar o ônibus e conversava um pouquinho entre um bom dia e outro para conhecidos e continuava andando naquele corredor quando sonhou mais uma vez e acordou. Sim, acordou. Porque nesse contexto ela somente disse “Bom dia!” e sentou na sua cadeira de trabalho, logo veio ele e sentou também na sua cadeira de trabalho que estava bem próxima e só ouvia-se tic tics de teclas sendo apertadas sem parar e só para conferir ela foi espiar o celular e constatar que pelo menos a parte da mensagem era de verdade. Assim repetiu aquele sorriso da madrugada e continuou, no mesmo lugar onde tudo começou.

domingo, 5 de maio de 2013

Entre os cheiros e os apelos

Nunca gostei de despedidas. Sempre prefiro sair sem dizer adeus porque é melhor pensar que você tornará a ver as pessoas, que seja em outros lugares. A despedida soa como: “adeus, até nunca mais”. E a conseqüência é a nostalgia imediata.


Eu não queria ter ganhado aquela despedida. Pois ela me rendeu um abraço. Um abraço que antes fora tão dificultado e tão desejado, ao mesmo tempo. Um abraço.

E neste abraço tive tempo de sentir teu coração e a pele quente que me tocava. E enquanto enlaçava meus braços fechei os olhos, mas os abri a tempo de ver sua nuca e de perceber aquele cheiro tão adorado. E aquilo foi se desfazendo e eu poderia ficar parada ali olhando para meus braços e sentindo meu coração palpitar lembrando o que acabava de sair por entre meus dedos.

Mas eu não poderia. Precisei sentar falsadamente e torcer para que ninguém tivesse visto. Enquanto olhava para a tela do computador e mexia lentamente no mouse. Não via nada a frente. Somente vagava e retornava àquilo que era bom.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quando os olhos falam

Cena 1: ela


Apressada terminava seus afazeres. Apresentação desleixada, calças largas, tênis, desengonçada trazia a mecha de cabelo para o lado certo da cabeça. Terminou. Ufa! Olha para o relógio, “recorde!”, pensa. Virou-se para sair.

Linha reta à sua frente...

Do outro lado do vidro estava ele em pé e parado, manuseava um copinho descartável de café, olhava para ela como se a penetrasse. A boca abriu, talvez palavras lhe quisessem saltar.

Ela sem jeito, com os olhos estalados, queria lhe sorrir. Em milésimos de segundos pensou ‘o que eu faço, o que eu faço’. Nisso já havia dado dois passos a frente. Sorriu, acenou, piscou, virou, abriu a porta e saiu. Não se viu atravessar a rua, entrou no carro. Respirou.

Cena 2: ele

Do outro lado do vidro fumê ele a viu, num vulto, entrando, cabelos esvoaçantes, expressão séria. Levantou-se, pegou um café e deu a volta se colocando à vista. Em dois goles acabou o café, mas ficou ali parado olhando-a, logo ela haveria de virar-se.

Virou-se, ele a fitou e se perturbou ‘mas o que seus olhos queriam dizer? profundos, tristes, piscaram, sumiram.

Cena 3: entre-linhas

Os dois se aproximaram em boa hora. Derepente eram a parte que faltava em um e outro. Se combinavam em seus olhares. Se entendiam nas diferenças. Podiam se ouvir. Podiam se aceitar. Poucos dias e eram velhos conhecidos. Uma fuga para outro mundo. Paz.

Um pressentimento...

Se agradeceram pelos momentos, talvez fosse o momento certo de separarem seus caminhos antes que o coração estragasse aquilo que se havia sentido. Ele desembarcou e quis abraçá-la, e assim se fez um abraço demorado entre os dois, se soltaram, fitaram-se e era como se ainda estivessem grudados, e embora as palavras tenham sido ‘até mais’ pareciam saber que não iriam mais se ver.

(O acordo do primeiro dia foi não se apaixonar)

Tic-tacs...dia, noite, vento, chuva, sol.

Ela entrou depressa. Ele a viu, levantou, pegou um café e se colocou à vista. Ela virou-se e lhe fitou.

Milhões de possibilidades limitadas pelo tempo, pelo sorriso e pelo gesto de cumprimento acompanhado de um sorriso sincero que seguiu a linha reta do brilho dos olhos dela que cruzavam com os dele.

Valeu a pena cada segundo. Um passado que não dói. Uma lembrança vivificada. Um tempo bom. Um aprendizado. Uma saudade.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Brisa


Estava sentindo o vento que parecia atravessá-la, sentia-se livre.
Acontecera tudo tão rápido... Agora via-se ao chão sem poder se mover. O corpo padecia sem forças. Chegara nova vertigem, os olhos pesavam e ela se fora levando naquela piscada a última luz viva.
Esteve caminhando, mas não tinha muitas coisas para se ver, esse caminho era meio vazio. Agora tinha alguém, não sabia quem, mas estava a guiá-la. Dalí podia ver um corpo ao chão, sentia pena dele, chegou a preocupar-se. Um sentimento de comoção tão grande a tomou tão logo informou convencida: “mas ela não vai morrer!” e lançou-se sobre o corpo pegando-o pelas mãos.
No repente a luz viva que havia prendido na última piscada era devolvida à terra.
Ouvia sons abafados, alguém gritou: - Ela acordou! Uns vultos a rodeavam e aos poucos as dores iam voltando, junto às lembranças de como fora parar ali.
Som de sirene. Estava salva.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Um Despertar

Estava andando com a cabeça baixa.
Olhou para o céu sem querer.
O brilho da lua que se fazia cheia a seduziu e ela teve que parar para admirar aquela luz por alguns instantes.
Ah, o negro céu que era tocado pela luminosidade irresistível da lua. Algumas nuvens pareciam dançar para a lua e pareciam também desmanchar-se todas as vezes que pela sua frente passavam.
Ah, a lua tão longe da menina se fazia, mas tão perto estava por meio de sua imaginação.
Ah, a imaginação que a fazia se sentir nuvem naquela hora, imaginação que agora comandava seus braços a erguerem-se lentamente e que fez a chave, na sua mão, tilintar, tão logo ela acordou. Foi trazida à realidade. Olhou a estrada e por mais que quisesse pegar a esquerda e fugir, resolveu, por pura insegurança, pegar a direita e voltar para sua casa. Ainda não estava na hora dela fugir, pelo menos, ainda não.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

rosário de piscadas

E de repente ela se encontrou, viu-se sentada em uma cadeira flertando o nada, falando consigo mesma em silêncio, aquém a toda inércia ao redor, mantendo-se apática. Era o disfarce ideal para que ninguém pudesse captar a guerra e o terror que habitava em seu interior. A bolica dos seus olhos queimavam em chamas, isso não poderia ser visto à olhos crus.
A pior coisa do mundo acontecera.
A dor era insuportável.
Uma vez conhecida a felicidade perdê-la significava morte.
A felicidade dela se fora junto a vida dele, após aquele baque ensurdecedor da batida entre os carros.
Eles tiveram alguns poucos segundo para que seus olhos pudessem conversar.
Enquanto os olhos dela apenas diziam: fique comigo, os dele, semi-abertos diziam: sinto não ter muito tempo, então, saiba que a amo. O último piscar de olhos dela que ele pode ver dizia: eu vou morrer de saudade de você. Depois disso ele se foi.
A vida é rosário de piscadas, dizia a literatura de Monteiro Lobato.
Pisca e acorda, pisca e brinca, pisca e não acorda mais.
Desejo à vocês, meus amigos, um looongo rosário de piscadas.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Amanhecer: recomeço

Eles se reencontraram em um amanhecer. Alguns dias antes de ela ir para longe, eram apenas amigos, depois de tudo. Embora, neste amanhecer, um olhar mudou tudo, algo acontecia em seus interiores, começando com uma leve friagem na barriga, mas, logo desviaram o olhar e encaminharam-se para uma despedida. No entanto, algo muito puro ficara no ar. Apenas um abraço e um largar de mãos, foi a cena que se deu. Cada um entrou no seu respectivo carro e dirigiram-se para suas casas. Quietos, ouvindo uma musica qualquer que lembrava muitas coisas, com algumas vontades em comum, mas muitas coisas para avaliar, antes de uma mudança de ideia em tão pouco tempo. Apenas abriram um leve sorriso e dormiram. Os dois dias que se seguiram foram estranhamente normais.
Ela seguiu seu rumo, sem saber se voltaria. Antes de dar o primeiro passo para dentro do avião passou em pequeno filme em sua mente, balançou a cabeça e se fez perder nas imagens. Voou até seu destino, encontrou seu novo lar e seguiu trabalhando. Fez amigos, foi aos consertos de rock, passou madrugadas acordadas. Viveu uma célebre paixão do jeito que sempre sonhara, foi muito feliz, sorriu de dentro para fora, cada vez que via o moço loiro e sorridente que se aproximava. Nunca fora tão completa.
Um dia, sua terra a chamou e com muito esforço teve que largar tudo o que construíra e voltar para suas raízes. A volta foi um pouco mais perturbadora. De volta, teria que se solidificar. Logo conseguiu um bom emprego em uma multinacional e continuou sua carreira.
Em um anoitecer caminhava pela cidade, com roupas esportivas, fone nos ouvidos, distraída bateu em alguém que também caminhava. Ao virar para pedir desculpas ela deu continuidade aquele olhar que havia se perdido à cinco anos atrás naquele amanhecer. Foi incrível, era como imã. As desculpas vieram juntas e gargalhadas. Logo, seguiram para uma mesma direção, diminuíram o passo e seguiram conversando, anoiteceu, tomaram um drink em um bar qualquer e decidiram ir para casa juntos, já que moravam na mesma direção. Pegaram uma chuvarada chegando em casa e riram muito disso tudo, ele pediu se ela queria esperar a chuva passar, ela resolveu aceitar. Subiram no elevador, agora quietos. Ela tomou um banho e vestiu uma camiseta dele. Saiu com os cabelos molhados e sentou no sofá, perto dele. Cruzaram um olhar que dizia mais que qualquer coisa. Ele falou o que sentiu e o que pensou naquele amanhecer, ela não falou nada, seria desnecessário para ele qualquer explicação, o olhar se estendeu. Ele foi chegando perto, eles ficaram muito perto um do outro, apenas sentindo suas peles e o respirar até que os lábios se tocaram e os olhos se fecharam. O som de Buckchery tomou conta da casa e os dois, finalmente se completaram, se deixaram levar. E, dessa vez, não se separaram no amanhecer.