Quem sou eu

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Catanduvas, Santa Catarina, Brazil
Alguém... Nem tão complicada, nem tão simples. Alguém... Que adora ficar acordada na madrugada, que acompanha séries de TV, que cantarola qualquer coisa o dia todo, que não pode ver chocolate sem comê-lo, que ama o som da chuva, que sonha correr nas campinas da Itália, que se irrita com internet lenta. Alguém... Que gosta das coisas simples da vida como olhar uma criança brincar, ver as folhas das árvores cair, as nuvens criarem figuras, sentir nos pés a água gelada de um rio, que gostaria de ver um cometa ou uma estrela cadente, como chamamos. Alguém... Que faz as outras pessoas rirem, e muito, talvez pelo jeito estabanado de ser, pelas caretas esquisitas e pelas perguntas em horas impróprias. Alguém... Que agora toma emprestada as palavras inteligentes de Raul “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Na verdade, ela só queria continuar com os seus all star andantes...


Somatoriamente induzida à vida... teve que sentir frio, medo, angústia. Esteve desencontrada.
Só na calada nas três e pouco da manhã encontrava-se em seu mundo - em meio ao som da brisa - quando a luminosidade da madrugada refletida na tela do computador que rompia com a escuridão. Decidiu olhar pela janela.
A vida é tão interessante quando se percebe que nessa hora a maior parte dos seres estão adormecidos e prontos para levantar pela manhã e dar continuidade ao “Do the evolution” diário. Estar em pé nesse momento a fez sentir herege às normalidades. Especialmente herege.
A normalidade é tão abrupta, insignificante, injusta, condicionante e esmagadora... ela não queria ser normal, esse tal mundo “normal” era tão anormal e desgostoso. Na verdade ela só queria continuar com os seus all star andantes.
A música foi calando e o primeiro raio rompia quando ela adormeceu. Pouco adormeceu. Deixou-se vagar alguns instantes e voltou. Agora ela fazia parte, ou não, do the evolution de sempre. Mas, ainda com os seus all star andantes.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Tributo II - Registre-se para não esquecer.

Talvez todo o meu medo esteja depositado em um sorriso. 


Quando se usa da humanidade não se pode fazer sorrisos somente por fazer. Para delinear um sorriso no rosto você precisa sentir emoção, comoção, alegria, concordância.

Costumo valorizar muito o sorriso.

O sorriso pode servir à muitas finalidades, como pergunta, como resposta, como transmissor de mil palavras ou como silenciador.

No entanto, existe um tipo de sorriso que é muito raro.

Um tipo que jamais deveria deixar de existir.

O sorriso sincero. (eu o vi).

Talvez todo o meu medo esteja depositado em um sorriso. (porque eu jamais me perdoaria se o deixasse extinguir).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Impressões

Tempo de recomeçar... tive essa sensação quando vi a chuva cair a tardinha melando minha caminhada, mas recomeçar o que se nem comecei?
A rotina tomou todo meu tempo e mente, e hoje me vi perdida com tempo vago e cabeça livre. Deu até vontade de sonhar, mas sonhar por que se logo a correria tornará?
O que fazer?
Se fosse criança correria às pernas da mãe para que ela apontasse o caminho.
Se fosse adolescente simplismente faria, mesmo sem querer, mesmo sem pensar.
Se fosse velhinha me culparia por não arriscar.
MAS sou aquela que precisa fazer a escolha sozinha e que deveria saber o que quer - mas ainda tem o mesmo medo de criança lidando com a vontade de adolescente e desde já carregando a culpa de tentar ou não - mas não sabe.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Deus, como é bom ver teu sorriso!

E aqui estamos nós novamente,
De frente um para o outro,
Dessa vez sem som algum,
Apenas o que o vento traz e desperta na memória.
Você abaixa a cabeça, quer ir embora? E por que não vai?
Também penso se deveria estar aqui, e por que não saio?
-Deus, como é bom ver teu sorriso!
Então, acho que é isso, vou fechar meus olhos para imortalizar essa imagem,
E quando os abro vejo os seus, cintilantes, alegres, comunicativos.
Por que você se esconde? (Eu não sei).
Mas não posso mais me ariscar, não depois de todo esse tempo. A vez é sua.
(mas por Deus, como é bom ver teu sorriso!)
 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quando os olhos falam

Cena 1: ela


Apressada terminava seus afazeres. Apresentação desleixada, calças largas, tênis, desengonçada trazia a mecha de cabelo para o lado certo da cabeça. Terminou. Ufa! Olha para o relógio, “recorde!”, pensa. Virou-se para sair.

Linha reta à sua frente...

Do outro lado do vidro estava ele em pé e parado, manuseava um copinho descartável de café, olhava para ela como se a penetrasse. A boca abriu, talvez palavras lhe quisessem saltar.

Ela sem jeito, com os olhos estalados, queria lhe sorrir. Em milésimos de segundos pensou ‘o que eu faço, o que eu faço’. Nisso já havia dado dois passos a frente. Sorriu, acenou, piscou, virou, abriu a porta e saiu. Não se viu atravessar a rua, entrou no carro. Respirou.

Cena 2: ele

Do outro lado do vidro fumê ele a viu, num vulto, entrando, cabelos esvoaçantes, expressão séria. Levantou-se, pegou um café e deu a volta se colocando à vista. Em dois goles acabou o café, mas ficou ali parado olhando-a, logo ela haveria de virar-se.

Virou-se, ele a fitou e se perturbou ‘mas o que seus olhos queriam dizer? profundos, tristes, piscaram, sumiram.

Cena 3: entre-linhas

Os dois se aproximaram em boa hora. Derepente eram a parte que faltava em um e outro. Se combinavam em seus olhares. Se entendiam nas diferenças. Podiam se ouvir. Podiam se aceitar. Poucos dias e eram velhos conhecidos. Uma fuga para outro mundo. Paz.

Um pressentimento...

Se agradeceram pelos momentos, talvez fosse o momento certo de separarem seus caminhos antes que o coração estragasse aquilo que se havia sentido. Ele desembarcou e quis abraçá-la, e assim se fez um abraço demorado entre os dois, se soltaram, fitaram-se e era como se ainda estivessem grudados, e embora as palavras tenham sido ‘até mais’ pareciam saber que não iriam mais se ver.

(O acordo do primeiro dia foi não se apaixonar)

Tic-tacs...dia, noite, vento, chuva, sol.

Ela entrou depressa. Ele a viu, levantou, pegou um café e se colocou à vista. Ela virou-se e lhe fitou.

Milhões de possibilidades limitadas pelo tempo, pelo sorriso e pelo gesto de cumprimento acompanhado de um sorriso sincero que seguiu a linha reta do brilho dos olhos dela que cruzavam com os dele.

Valeu a pena cada segundo. Um passado que não dói. Uma lembrança vivificada. Um tempo bom. Um aprendizado. Uma saudade.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Brisa


Estava sentindo o vento que parecia atravessá-la, sentia-se livre.
Acontecera tudo tão rápido... Agora via-se ao chão sem poder se mover. O corpo padecia sem forças. Chegara nova vertigem, os olhos pesavam e ela se fora levando naquela piscada a última luz viva.
Esteve caminhando, mas não tinha muitas coisas para se ver, esse caminho era meio vazio. Agora tinha alguém, não sabia quem, mas estava a guiá-la. Dalí podia ver um corpo ao chão, sentia pena dele, chegou a preocupar-se. Um sentimento de comoção tão grande a tomou tão logo informou convencida: “mas ela não vai morrer!” e lançou-se sobre o corpo pegando-o pelas mãos.
No repente a luz viva que havia prendido na última piscada era devolvida à terra.
Ouvia sons abafados, alguém gritou: - Ela acordou! Uns vultos a rodeavam e aos poucos as dores iam voltando, junto às lembranças de como fora parar ali.
Som de sirene. Estava salva.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Tributo I - no vento repleto de cor busca enfeitar a amargura, a minha vida que grita.

conheço a menina de cabelos lisos. às vezes ela me lembra muito a Alice no país das maravilhas, mas qualquer semelhança com o real é mera coincidência.

a menina de cabelos lisos conhecia um marcador do tempo, a saber, muito sábio. um dia ele a olhou e entre-dentes falou: “como o tempo vai e o vento vem”. é, assim mesmo, parecendo sem sentido, mas é preciso conhecê-lo para compreender suas filosofias, é verdade, ele nos conta muitas coisas, nada que não seja evidente, é claro, mas é preciso que ele nos conte as coisas das quais apenas desconfiamos.

a menina de cabelos lisos teve um palpite, mas tão logo o concebeu, simplesmente o desconsiderou. ela não poderia crer em algo infundado, era necessário buscar epistemologias e, logo, pôs-se em pesquisa. num meio tempo disse-me ela que se sentia “perdida sem razão”, é, assim mesmo, sem vírgula, jamais descobri se ela queria dizer que estava perdida sem motivação aparente ou perdida sem possuir a racionalidade.

lá ia a menina de cabelos lisos, seguindo os passos de uma conhecida Alice, vagando num céu e ao mesmo tempo mirabolando “se eu pudesse roubar as gotas de luar...”, a lua ouviu seu pensamento e ficou atenta. como poderia alguém querer roubar minhas gotas? pensava a lua, e foi logo falando à menina de cabelos lisos que isso era errado, trazendo a retórica da menina de cabelos lisos então me diz o que é certo e o que é errado”, e a  menina de cabelos lisos pode ver a surpreendente reação da lua: um riso! um riso que poderia significar que a lua havia ignorado a retórica (talvez a lua não soubesse a resposta) ou um riso refletindo a graciosidade que a menina de cabelos lisos tinha despertado nela. enfim, a lua inclina-se e põe suas estrelas no azul, onde tudo parece tão vago e surrealista, e a menina de cabelos lisos tocou em tudo e tocou também naquilo que não conseguimos decifrar. olhou para as estrelas no azul, para aquelas que imaginam pisar nas nuvens, viu tantas coisas que foge ao sentido da explicação.

o marcador do tempo agora se fazia ouvir em tic-tacs que anuciavam um amanhecer, a menina de cabelos lisos tapou os ouvidos com suas mãos pequeninas e fechou os olhos por um momento, então a barulheira pareceu diminuir e o cenário muda, a consciência fica ali parada alarmando coisas. a menina de cabelos lisos teve de dizer à consciência “não tenho nem uma bússola e nem mais uma pista” e a consciência estava tão cansada que cedeu o posto para a imaginação que tristonhamente dizia a menina de cabelos lisos “as vezes, o que vejo, quase ninguém vê”, disse assim mesmo, ainda sofisticado em sua simplicidade.

a menina de cabelos lisos ouviu uma voz familiar a qual lhe trouxe saudades, deu alguns passos até a porta (talvez pela mesma porta por onde entrará ali), tão logo começou a gritar “eu quero a chave, a chave da porta da frentee todas aquelas idéias saíram pela janela, espalhando loucuras, criando ilusões. o sol mandou suas gotas entregarem a chave da porta da frente para a menina de cabelos lisos e ela pode voltar para a voz enquanto pensava: inúteis classificações, ao menos, por enquanto.

Novamente em seu habitat ela refletia sobre as incertezas viciantes, e prejulgava: é a tal mania de desconhecer e rogava “e continuo querendo algo real”, assim debruçou-se em sua janela de onde podia ver seu mundo, começou a reclamar baixinho: e o vento a soprar nuvens cinzas para cá, e a alma cansada, penada se afunda no chão e tal qual a frase deixou-se afundar e cair em seus dilemas.

ah, menina de cabelos lisos... esse seria seu ciclo, essa seria sua saga, sua caminhada, seu destino e seu acaso, iria para sempre mergulhar nas incertezas incentivada pela curiosidade, mas adorando a racionalidade para onde sempre retornava, afinal ali era seu porto seguro e confiável, pode-se dizer até estável. vive a menina de cabelos lisos, sob alguns princípios básicos, dir-se-ia de passagem, faça-se como ela, encontre uma luz conveniente, saia da sombra.

tenham sempre em mente que a menina de cabelos lisos em algum momento dirá: abandonar-te-ei deveras necessário, e depois disso sairá de seu posto, reze para que ela volte se lhe for conveniente ou apenas tente conquistar uma poltrona e embarque nessa viagem com a menina de cabelos lisos.

P.S.: este devaneio fora produzido por meio de frases (filosóficas e épicas) de uma menina de cabelos lisos a qual tenho feroz admiração, não me darei ao deleite de “rasgação de sedas” aqui, o necessário sobre meus sentimentos por ela já foram ditos (pelo não dito). as frases desta geniazinha foram postadas em nicks de MSN, as mesmas estão destacadas, foram preservadas no ordenamento cronológico, inclusive decidi preservar as letras minúsculas pela vasta utilização destas pela menina de cabelos lisos. Há também que se destacar a presença assídua dos pontos finais ao término das frases, que só a menina de cabelos lisos sabe o valor de sua representação. Enfim vou tentar defini-la com alguns adjetivos corriqueiros: diferente, única, Ana Bárbara.