Vinha quase correndo, morrendo de pressa como fazia todos os minutos da vida. Descia as escadas quando um feixe de luz forte fez doer os olhos e fez com que ela deixasse-os semicerrados. Ainda assim quis olhar para cima para encarar aquela luz. Era o sol que ia embora e quis tocá-la só para dizer um tchau, quis tocá-la para lembrá-la que sentia frio. Quis tocá-la para lembrá-la que devia olhá-lo com mais frequência. Quis tocá-la para lembrá-la que o fim do dia era ainda mais bonito enquanto o sol se punha. Quis fazê-la esquecer por um momento daquelas milhões de coisas que estavam anotadas na agenda e fez com que ela quisesse sentar e só ficar ali para ouvir o adeus daquele sol que estava abrilhantando o gramado e as abas das construções, e que fazia reluzir até as argolinhas por onde passavam os cadarços do all star.
(Quer saber? As vezes é preciso parar, pra seguir em frente...)
Quem sou eu
- Shér De Bastiani
- Catanduvas, Santa Catarina, Brazil
- Alguém... Nem tão complicada, nem tão simples. Alguém... Que adora ficar acordada na madrugada, que acompanha séries de TV, que cantarola qualquer coisa o dia todo, que não pode ver chocolate sem comê-lo, que ama o som da chuva, que sonha correr nas campinas da Itália, que se irrita com internet lenta. Alguém... Que gosta das coisas simples da vida como olhar uma criança brincar, ver as folhas das árvores cair, as nuvens criarem figuras, sentir nos pés a água gelada de um rio, que gostaria de ver um cometa ou uma estrela cadente, como chamamos. Alguém... Que faz as outras pessoas rirem, e muito, talvez pelo jeito estabanado de ser, pelas caretas esquisitas e pelas perguntas em horas impróprias. Alguém... Que agora toma emprestada as palavras inteligentes de Raul “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Não estava inteiro
Sentia queimando em mim a vontade de calor. Mesmo minha pele tocando a sua eu não conseguia senti-lo. Você apertou minha mão contra seu próprio corpo e eu sorri, mas gostaria de descobrir o que querias me dizer.
Eu sabia, não estava inteiro, estava quebrado, longe, angustiado. Eu procurei teus olhos, mas não os encontrei. Aqueles olhos buscavam o teto, o chão, os perímetros, mas não se fixavam em lugar algum.
Sentia o perfume que parecia desgrudar do teu cabelo, do teu corpo e entrar diretamente nas minhas narinas prendendo ainda mais a minha atenção.
Estava frio, distante, cego.
Senti aquele beijo que tocou minha bochecha, era quente, era cheio de carinho e queria dizer muito mais do que sua boca poderia.
Estava desatento.
Sentia a ternura, a vontade de ficar, de sorrir, de estar e de apenas estar apaixonada.
Estava indo embora. E foi.
E se não fosse aquele beijo... (teria ido para sempre).
Eu sabia, não estava inteiro, estava quebrado, longe, angustiado. Eu procurei teus olhos, mas não os encontrei. Aqueles olhos buscavam o teto, o chão, os perímetros, mas não se fixavam em lugar algum.
Sentia o perfume que parecia desgrudar do teu cabelo, do teu corpo e entrar diretamente nas minhas narinas prendendo ainda mais a minha atenção.
Estava frio, distante, cego.
Senti aquele beijo que tocou minha bochecha, era quente, era cheio de carinho e queria dizer muito mais do que sua boca poderia.
Estava desatento.
Sentia a ternura, a vontade de ficar, de sorrir, de estar e de apenas estar apaixonada.
Estava indo embora. E foi.
E se não fosse aquele beijo... (teria ido para sempre).
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Na verdade, ela só queria continuar com os seus all star andantes...
Somatoriamente induzida à vida... teve que sentir frio, medo,
angústia. Esteve desencontrada.
Só na calada nas três e pouco da manhã encontrava-se em seu
mundo - em meio ao som da brisa - quando a luminosidade da madrugada refletida
na tela do computador que rompia com a escuridão. Decidiu olhar pela janela.
A vida é tão interessante quando se percebe que nessa hora a
maior parte dos seres estão adormecidos e prontos para levantar pela manhã e
dar continuidade ao “Do the evolution”
diário. Estar em pé nesse momento a fez sentir herege às normalidades. Especialmente
herege.
A normalidade é tão abrupta, insignificante, injusta, condicionante
e esmagadora... ela não queria ser normal, esse tal mundo “normal” era tão
anormal e desgostoso. Na verdade ela só queria continuar com os seus all star andantes.
A música foi calando e o primeiro raio rompia quando ela
adormeceu. Pouco adormeceu. Deixou-se vagar alguns instantes e voltou. Agora ela
fazia parte, ou não, do the evolution
de sempre. Mas, ainda com os seus all
star andantes.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Tributo II - Registre-se para não esquecer.
Talvez todo o meu medo esteja depositado em um sorriso.
Quando se usa da humanidade não se pode fazer sorrisos somente por fazer. Para delinear um sorriso no rosto você precisa sentir emoção, comoção, alegria, concordância.
Costumo valorizar muito o sorriso.
O sorriso pode servir à muitas finalidades, como pergunta, como resposta, como transmissor de mil palavras ou como silenciador.
No entanto, existe um tipo de sorriso que é muito raro.
Um tipo que jamais deveria deixar de existir.
O sorriso sincero. (eu o vi).
Talvez todo o meu medo esteja depositado em um sorriso. (porque eu jamais me perdoaria se o deixasse extinguir).
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Impressões
Tempo de recomeçar... tive essa sensação quando vi a chuva cair a tardinha melando minha caminhada, mas recomeçar o que se nem comecei?
A rotina tomou todo meu tempo e mente, e hoje me vi perdida com tempo vago e cabeça livre. Deu até vontade de sonhar, mas sonhar por que se logo a correria tornará?
O que fazer?
Se fosse criança correria às pernas da mãe para que ela apontasse o caminho.
Se fosse adolescente simplismente faria, mesmo sem querer, mesmo sem pensar.
Se fosse velhinha me culparia por não arriscar.
MAS sou aquela que precisa fazer a escolha sozinha e que deveria saber o que quer - mas ainda tem o mesmo medo de criança lidando com a vontade de adolescente e desde já carregando a culpa de tentar ou não - mas não sabe.
A rotina tomou todo meu tempo e mente, e hoje me vi perdida com tempo vago e cabeça livre. Deu até vontade de sonhar, mas sonhar por que se logo a correria tornará?
O que fazer?
Se fosse criança correria às pernas da mãe para que ela apontasse o caminho.
Se fosse adolescente simplismente faria, mesmo sem querer, mesmo sem pensar.
Se fosse velhinha me culparia por não arriscar.
MAS sou aquela que precisa fazer a escolha sozinha e que deveria saber o que quer - mas ainda tem o mesmo medo de criança lidando com a vontade de adolescente e desde já carregando a culpa de tentar ou não - mas não sabe.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Deus, como é bom ver teu sorriso!
E aqui estamos nós novamente,
De frente um para o outro,
Dessa vez sem som algum,
Apenas o que o vento traz e desperta na memória.
Você abaixa a cabeça, quer ir embora? E por que não vai?
Também penso se deveria estar aqui, e por que não saio?
-Deus, como é bom ver teu sorriso!
Então, acho que é isso, vou fechar meus olhos para imortalizar essa imagem,
E quando os abro vejo os seus, cintilantes, alegres, comunicativos.
Por que você se esconde? (Eu não sei).
Mas não posso mais me ariscar, não depois de todo esse tempo. A vez é sua.
(mas por Deus, como é bom ver teu sorriso!)
De frente um para o outro,
Dessa vez sem som algum,
Apenas o que o vento traz e desperta na memória.
Você abaixa a cabeça, quer ir embora? E por que não vai?
Também penso se deveria estar aqui, e por que não saio?
-Deus, como é bom ver teu sorriso!
Então, acho que é isso, vou fechar meus olhos para imortalizar essa imagem,
E quando os abro vejo os seus, cintilantes, alegres, comunicativos.
Por que você se esconde? (Eu não sei).
Mas não posso mais me ariscar, não depois de todo esse tempo. A vez é sua.
(mas por Deus, como é bom ver teu sorriso!)
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Quando os olhos falam
Cena 1: ela
Apressada terminava seus afazeres. Apresentação desleixada, calças largas, tênis, desengonçada trazia a mecha de cabelo para o lado certo da cabeça. Terminou. Ufa! Olha para o relógio, “recorde!”, pensa. Virou-se para sair.
Linha reta à sua frente...
Do outro lado do vidro estava ele em pé e parado, manuseava um copinho descartável de café, olhava para ela como se a penetrasse. A boca abriu, talvez palavras lhe quisessem saltar.
Ela sem jeito, com os olhos estalados, queria lhe sorrir. Em milésimos de segundos pensou ‘o que eu faço, o que eu faço’. Nisso já havia dado dois passos a frente. Sorriu, acenou, piscou, virou, abriu a porta e saiu. Não se viu atravessar a rua, entrou no carro. Respirou.
Cena 2: ele
Do outro lado do vidro fumê ele a viu, num vulto, entrando, cabelos esvoaçantes, expressão séria. Levantou-se, pegou um café e deu a volta se colocando à vista. Em dois goles acabou o café, mas ficou ali parado olhando-a, logo ela haveria de virar-se.
Virou-se, ele a fitou e se perturbou ‘mas o que seus olhos queriam dizer? profundos, tristes, piscaram, sumiram.
Cena 3: entre-linhas
Os dois se aproximaram em boa hora. Derepente eram a parte que faltava em um e outro. Se combinavam em seus olhares. Se entendiam nas diferenças. Podiam se ouvir. Podiam se aceitar. Poucos dias e eram velhos conhecidos. Uma fuga para outro mundo. Paz.
Um pressentimento...
Se agradeceram pelos momentos, talvez fosse o momento certo de separarem seus caminhos antes que o coração estragasse aquilo que se havia sentido. Ele desembarcou e quis abraçá-la, e assim se fez um abraço demorado entre os dois, se soltaram, fitaram-se e era como se ainda estivessem grudados, e embora as palavras tenham sido ‘até mais’ pareciam saber que não iriam mais se ver.
(O acordo do primeiro dia foi não se apaixonar)
Tic-tacs...dia, noite, vento, chuva, sol.
Ela entrou depressa. Ele a viu, levantou, pegou um café e se colocou à vista. Ela virou-se e lhe fitou.
Milhões de possibilidades limitadas pelo tempo, pelo sorriso e pelo gesto de cumprimento acompanhado de um sorriso sincero que seguiu a linha reta do brilho dos olhos dela que cruzavam com os dele.
Valeu a pena cada segundo. Um passado que não dói. Uma lembrança vivificada. Um tempo bom. Um aprendizado. Uma saudade.
Apressada terminava seus afazeres. Apresentação desleixada, calças largas, tênis, desengonçada trazia a mecha de cabelo para o lado certo da cabeça. Terminou. Ufa! Olha para o relógio, “recorde!”, pensa. Virou-se para sair.
Linha reta à sua frente...
Do outro lado do vidro estava ele em pé e parado, manuseava um copinho descartável de café, olhava para ela como se a penetrasse. A boca abriu, talvez palavras lhe quisessem saltar.
Ela sem jeito, com os olhos estalados, queria lhe sorrir. Em milésimos de segundos pensou ‘o que eu faço, o que eu faço’. Nisso já havia dado dois passos a frente. Sorriu, acenou, piscou, virou, abriu a porta e saiu. Não se viu atravessar a rua, entrou no carro. Respirou.
Cena 2: ele
Do outro lado do vidro fumê ele a viu, num vulto, entrando, cabelos esvoaçantes, expressão séria. Levantou-se, pegou um café e deu a volta se colocando à vista. Em dois goles acabou o café, mas ficou ali parado olhando-a, logo ela haveria de virar-se.
Virou-se, ele a fitou e se perturbou ‘mas o que seus olhos queriam dizer? profundos, tristes, piscaram, sumiram.
Cena 3: entre-linhas
Os dois se aproximaram em boa hora. Derepente eram a parte que faltava em um e outro. Se combinavam em seus olhares. Se entendiam nas diferenças. Podiam se ouvir. Podiam se aceitar. Poucos dias e eram velhos conhecidos. Uma fuga para outro mundo. Paz.
Um pressentimento...
Se agradeceram pelos momentos, talvez fosse o momento certo de separarem seus caminhos antes que o coração estragasse aquilo que se havia sentido. Ele desembarcou e quis abraçá-la, e assim se fez um abraço demorado entre os dois, se soltaram, fitaram-se e era como se ainda estivessem grudados, e embora as palavras tenham sido ‘até mais’ pareciam saber que não iriam mais se ver.
(O acordo do primeiro dia foi não se apaixonar)
Tic-tacs...dia, noite, vento, chuva, sol.
Ela entrou depressa. Ele a viu, levantou, pegou um café e se colocou à vista. Ela virou-se e lhe fitou.
Milhões de possibilidades limitadas pelo tempo, pelo sorriso e pelo gesto de cumprimento acompanhado de um sorriso sincero que seguiu a linha reta do brilho dos olhos dela que cruzavam com os dele.
Valeu a pena cada segundo. Um passado que não dói. Uma lembrança vivificada. Um tempo bom. Um aprendizado. Uma saudade.
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